O novo filme do premiado diretor Daniel Roher, O Afinador (Tuner), chegou aos cinemas dos Estados Unidos no final de maio e faz sua aguardada estreia nos cinemas do Brasil no dia 11 de junho. O longa-metragem, distribuído no país pela Paris Filmes, já conquistou a crítica internacional especializada e através do crítico Marcelo Cunha, o Portal Maraq teve acesso exclusivo à cabine de imprensa para analisar a produção em primeira mão.
Estrelada por Leo Woodall e pelo veterano Dustin Hoffman, a trama, que ostenta impressionantes 94% de aprovação no agregador Rotten Tomatoes, utiliza a jornada de superação e crime de um jovem pianista com uma condição auditiva rara para tecer uma contundente crítica social. A seguir, conto detalhadamente as minhas impressões sobre como essa produção independente de apenas US$ 7 milhões consegue subverter as fórmulas tradicionais de Hollywood de forma brilhante.
O debate social e a saúde pública em ‘O Afinador’
Assistimos ao filme e vimos um interessante drama e romance em que o protagonista Niki (Leo Woodall) sofre de hiperacusia, uma condição auditiva rara que amplifica os sons cotidianos, tornando-os dolorosamente altos, o que encerrou seu futuro promissor como virtuoso do piano, mas aguçou o dom do “ouvido absoluto”. Niki tem um relacionamento de paternidade afetiva com Harry Horowitz (Dustin Hoffman). Sendo esse relacionamento tão forte, Harry, hospitalizado, conduz Niki para um drama policial. É nesse momento que o filme traz a discussão o drama da saúde dos EUA, que se refere às enormes barreiras financeiras e estruturais do sistema americano. Ao contrário de modelos públicos como o SUS brasileiro, o acesso estadunidense é privatizado, sendo o governo responsável apenas por parcelas específicas da população (como idosos com o Medicare). O custo astronômico dos tratamentos, a dependência de planos de saúde privados pelas empresas e as mudanças anuais nos subsídios e seguros geram um debate intenso sobre o direito universal à saúde no país.

Foto promocional do Filme ‘O Afinador’ | Foto: reprodução/Paris Filmes
O filme tem um roteiro fluido, mudando de gênero ao longo da história, o que funciona muito bem para prender a atenção e criar expectativa. Na etapa da apresentação, inicia-se com um drama leve apresentando os personagens, mas na etapa do confronto temos a mistura gradativa com um thriller policial e um romance com Ruthie (Havana Rose Liu), uma estudante de composição que desenvolve uma conexão inesperada com o Niki e que se torna o gênero final da história, além de apresentar uma mensagem subliminar de um relacionamento entre um personagem americano com uma chinesa em pleno momento de conflitos comerciais entre os países.
A força técnica e as atuações
A diferença dos dois personagens é grande, tendo conflitos durante a trama. Ruthie é uma chinesa bem-sucedida, focada em seus objetivos, regrada, sentimental, pessoa humilde mesmo que talentosa e misericordiosa. Enquanto Niki, traumatizado pelo seu passado, ansioso, inseguro, sem projeção nenhuma de um futuro, e mesmo carregando um talento formidável, não conseguia transformar isso em sucesso. Fraco, em momento de extrema necessidade ele se deixa levar para o crime. Mas entre eles é o que o resgata da vida que estava levando.
Essa bagagem crítica não é por acaso. O diretor Daniel Roher ficou mundialmente conhecido pelo documentário político Navalny (2022), obra que investigou o envenenamento do líder da oposição russa e expôs os bastidores do Kremlin. Vindo de um cineasta com esse histórico, torna-se impossível assistir a O Afinador sem buscar uma abordagem mais profunda e atenta aos detalhes sociais e geopolíticos que ele planta na narrativa.
Tecnicamente, a obra entrega um bom design de som, muito exigido no filme, e uma boa fotografia de vídeo. Há uma boa atuação de Leo Woodall e Havana Rose Liu, mas Dustin Hoffman, ao interpretar um pai afetivo com saúde debilitada e contas médicas acumuladas, foi um excelente deuteragonista para Leo Woodall. A sua experiência logo no início do filme prepara e eleva o personagem de Leo Woodall para um salto dramático fenomenal.
Acreditamos em grandes indicações e prêmios, mesmo o filme tendo custado US$ 7 milhões, custos bem inferiores aos blockbusters tradicionais.
Trailer e Sinopse oficial
No primeiro longa-metragem de ficção do diretor vencedor do Oscar Daniel Roher, Leo Woodall estrela como um jovem e talentoso afinador de pianos cuja audição aguçada chama a atenção de criminosos, que veem em suas habilidades a utilidade tanto para abrir cofres quanto para afinar pianos Steinway. Com sua promissora carreira musical em declínio, ele trabalha em Nova York com seu mentor Harry Horowitz (vencedor do Oscar Dustin Hoffman), e conhece a estudante de composição Ruthie (Havana Rose Liu), com quem desenvolve uma conexão inesperada. O trabalho de Niki como arrombador de cofres ameaça seu romance com Ruthie e o arrasta para um território cada vez mais perigoso.
Trailer dublado | Vídeo: reprodução/Youtube/Paris Filmes

