A TV Globo anunciou, na noite desta quinta-feira (1º), o cancelamento do debate com candidatos à Presidência da República que estava programado para ser realizado nos Estúdios Globo, no Rio de Janeiro.
Segundo comunicado divulgado pela emissora, duas notificações judiciais recebidas poucas horas antes do encontro alteraram regras que haviam sido previamente acordadas pelos partidos participantes.
Uma das decisões foi assinada pela ministra Stella Aranha, do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), em resposta a um pedido da coligação da candidatura de Luiz Inácio Lula da Silva (PT). A decisão tornou inválido o trecho das regras que estabelecia como seria representada a ausência de um candidato no cenário do debate.
De acordo com a Globo, as regras assinadas pelos partidos determinavam que, em caso de ausência, o púlpito reservado ao candidato permaneceria vazio, identificado por uma placa. Também estava prevista a possibilidade de os candidatos presentes formularem, em 30 segundos, o que perguntariam ao candidato ausente.
A decisão judicial determinou que o púlpito com o nome de Lula não fosse utilizado e proibiu a formulação das perguntas direcionadas a ele.
Outra decisão alterou participação de candidato
A segunda notificação recebida pela Globo, segundo a emissora, foi uma decisão do ministro Gilmar Mendes, do Supremo Tribunal Federal (STF), em atendimento a um pedido do partido Solidariedade relacionado à participação de Renan Santos, candidato do Missão. A emissora afirma que suas regras para o debate seguiram a legislação eleitoral e as normas do TSE, segundo as quais devem ser obrigatoriamente convidados candidatos de partidos ou federações que tenham representação mínima de cinco parlamentares no Congresso Nacional.
Inicialmente, a Globo havia convidado Augusto Cury (Avante), Flávio Bolsonaro (PL), Ronaldo Caiado (PSD) e Luiz Inácio Lula da Silva (PT). Na terça-feira (29), uma decisão do presidente do TSE, Kassio Nunes Marques, havia alterado o entendimento utilizado para a contagem da representação parlamentar e determinado a participação de Romeu Zema (Novo) no debate.
Já a decisão do ministro Gilmar Mendes determinou a participação de Renan Santos, mesmo com o Missão tendo, segundo o comunicado da Globo, apenas um parlamentar no Congresso Nacional.
Globo cita insegurança jurídica
Ao anunciar o cancelamento, a Globo afirmou discordar das alterações determinadas por decisões judiciais próximas ao horário previsto para o debate.
A emissora declarou que as sucessivas decisões geraram, em sua avaliação, “insegurança jurídica” e representariam interferência na liberdade dos veículos de imprensa para organizar debates eleitorais.
A Globo afirmou ainda que mantém uma tradição de realização de debates e que seu objetivo é promover a discussão de ideias e oferecer aos eleitores a possibilidade de comparar projetos.
O debate seria mediado pelo jornalista César Tralli e teria transmissão simultânea pela TV Globo, GloboNews, g1 e Globoplay.
Candidatos presentes
A princípio, o debate da TV Globo reuniria quatro candidatos: Flávio Bolsonaro (PL), Ronaldo Caiado (PSD), Augusto Cury (Avante) e Romeu Zema (Novo). Porém, Flávio Bolsonaro usou suas redes sociais para comunicar oficialmente que não iria participar deste debate. Segundo o jornal O Globo, a decisão foi tomada após o Tribunal Superior Eleitoral (TSE) proibir a emissora de exibir o púlpito vazio reservado a Lula (PT). Lula foi convidado pela emissora, mas confirmou presença no canal do Flow no Youtube para ser entrevistado por Igor 3k, fazendo assim, a audiência ser dividida entre a tradicional emissora de televisão e o canal digital.
No momento do anúncio do cancelamento pela emissora, os candidatos Caiado, Cury e Zema já se encontravam nos estúdios Globo. Ao invés do debate, os três candidatos participaram de uma coletiva de imprensa.



O que será exibido no lugar do debate?
Com o cancelamento, a TV Globo informou que exibirá, no horário originalmente reservado ao debate presidencial, o capítulo inédito da novela ‘Quem Ama Cuida’.
A decisão altera a programação especial que havia sido anunciada pela emissora para esta quinta-feira, que também previa cobertura eleitoral antes e depois do debate.

