Foto de Squel na avenida de carnavalSquel - Confissões de uma porta-bandeiras | Divulgação/Donna Features

A trajetória da porta-bandeira Squel Jorgea é o ponto de partida de Squel, Confissões de uma porta-bandeira, documentário que terá sua première paulista nesta quinta-feira (22), durante a 50ª Mostra Internacional de Cinema em São Paulo. Dirigido por Celina Torrealba e Zeca Brito, o longa acompanha a sambista em um momento de transformação pessoal e profissional, marcado pelo retorno ao Carnaval do Rio de Janeiro após anunciar sua aposentadoria em 2022.

A primeira sessão em São Paulo está marcada para as 21h30, no Espaço Petrobras de Cinema, Sala 1. O filme também será exibido na segunda-feira (26), às 18h30, no Cinesystem Belas Artes Frei Caneca 2. A produção integra a Mostra Brasil e tem lançamento comercial previsto para 2027.

Squel Jorgea retorna ao Carnaval após a maternidade

Com mais de duas décadas de carreira como porta-bandeira, Squel construiu uma trajetória marcada pela passagem por duas das principais escolas de samba do Rio de Janeiro: Mangueira e Portela. Ela foi a primeira mulher a ocupar o posto nas duas agremiações, segundo informações da produção.

O documentário acompanha o processo de reinvenção da artista após a aposentadoria e a maternidade solo. Aos 40 anos, Squel recebeu um convite da Portela, experiência que deu novos rumos ao projeto cinematográfico, iniciado quando ela já estava afastada da Mangueira.

As câmeras registram os ensaios, a preparação física e os bastidores que antecedem as apresentações na Marquês de Sapucaí. A proposta é mostrar o trabalho que sustenta a performance da porta-bandeira, uma função que exige técnica, resistência e dedicação muito antes de chegar à avenida.


Reprodução/Instagram/@donnafeatures


Enredo da Mangueira dialoga com a trajetória da artista

O filme também se aproxima da dimensão histórica e cultural do Carnaval por meio do enredo Um Defeito de Cor, desenvolvido pela Mangueira para o desfile de 2024. Inspirado no livro de Ana Maria Gonçalves, o enredo apresenta a história de uma mãe negra escravizada que escreve uma carta ao filho, tema que estabelece um diálogo com questões de ancestralidade, memória e resistência.

Na narrativa documental, a dança de Squel ganha novos significados ao se relacionar com a história afro-brasileira e com os desafios enfrentados por mulheres negras no universo do samba.

A produção também lança luz sobre uma contradição do Carnaval: embora as mulheres ocupem posição de destaque na avenida, nem sempre encontram condições de sustento e reconhecimento profissional fora do período da festa.

Documentário acompanha quatro anos da vida de Squel

Produzido pela Donna Features, em coprodução com a Anti Filmes, Squel, Confissões de uma porta-bandeira tem roteiro, produção e fotografia assinados por Celina Torrealba e Zeca Brito, que dividem a direção. As gravações se estenderam por cerca de quatro anos, acompanhando diferentes etapas da vida e da preparação da sambista.

Para Celina, acompanhar a rotina da porta-bandeira permitiu compreender o esforço que existe por trás das apresentações. Zeca, por sua vez, destaca a importância de registrar uma artista que considera representativa da cultura popular brasileira e da tradição do bailado carnavalesco.

O longa teve sua primeira exibição no Festival do Rio e agora chega à Mostra Internacional de Cinema em São Paulo, antes do lançamento previsto para 2027.

Para Squel, ocupar o lugar de protagonista representa uma conquista que ultrapassa a carreira artística. A sambista relembra o início de sua trajetória ainda criança, em uma escolinha de mestre-sala e porta-bandeira na Baixada Fluminense, e considera a oportunidade um marco para uma mulher negra, artista e ligada à cultura popular brasileira.

By Redação Maraq

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