Atriz Bia Borinn de vestido preto de frente para a cameraBia Borinn | reprodução/Instagram/@biaborinn/Livia Wippich

A presença de profissionais do Brasil no audiovisual internacional vive forte expansão com o crescimento do mercado de streaming global. Em entrevista recente à apresentadora Ruth de Souza, no programa ‘Vem Comigo!’ da TV Life América, a atriz e produtora paulista Bia Borin analisou esse cenário diretamente de Los Angeles. Formada em Artes Cênicas pela USP, ela abordou os desafios reais de quem tenta ingressar na competitiva indústria norte-americana de cinema.

A realidade do ator brasileiro no audiovisual internacional

Antes de consolidar sua carreira no exterior, a artista iniciou sua trajetória no teatro paulista de forma despretensiosa durante o período escolar. Inicialmente inclinada a seguir carreiras tradicionais como medicina, jornalismo ou advocacia por pressões externas, ela descobriu sua verdadeira vocação nos palcos. O interesse pela atuação a levou a ingressar no curso de Artes Cênicas da USP, onde a paixão pelo ofício se transformou em meta profissional.

O processo de migração profissional para a Califórnia exige muito mais do que a fluência em um segundo idioma na hora dos testes de elenco. A artista pontua que o maior obstáculo para os imigrantes é a reconstrução completa da rede de contatos profissionais dentro de um sistema industrializador. “Você chega aqui e não conhece ninguém, aí você tem que ter o agente, o empresário”, relatou ao destacar o isolamento inicial em Los Angeles.


Bia Borinn | Foto: reprodução/Insatgram/@biaborin/Marcos Daniel Ferreira


Além disso, a burocracia do mercado norte-americano impõe regras rígidas e exige vistos de trabalho específicos para a atuação em produções regulamentadas. Como grande parte das atividades artísticas nos Estados Unidos é fortemente sindicalizada, o profissional estrangeiro precisa compreender os trâmites legais do país. Para lidar com essa transição complexa sem frustrações, Borinn ressalta que o primeiro passo indispensável é o autoconhecimento profundo sobre a própria identidade.

Ao decifrar o funcionamento prático da indústria local, a produtora buscou conexão direta com a comunidade de imigrantes brasileiros que reside na América do Norte. Essa articulação abriu portas para que ela integrasse o elenco do longa-metragem Música, dirigido por Rudy Mancuso e distribuído globalmente pelo Prime Video. A narrativa da produção aborda justamente as experiências e os choques culturais de jovens que crescem como filhos de brasileiros em solo estrangeiro.

A inserção nesse mercado se reflete em participações na série original The Gringo Hunters, da Netflix, e nos elencos de All’s Fair e My Love LA. Esse avanço contínuo em catálogos mundiais demonstra um interesse crescente do público jovem por narrativas que tragam rostos e sotaques latinos distantes de caricaturas. A superação dessas barreiras burocráticas e culturais serve como um termômetro para compreender como o talento sul-americano é absorvido pelas grandes produtoras atuais.

Essa trajetória de superação conecta o trabalho de Borinn ao de outros grandes nomes que elevam o patamar do cinema nacional no exterior. Nomes como Alice Braga, Wagner Moura, Gabriel Leone e Bruna Marquezine pavimentaram caminhos fundamentais ao assumirem papéis de protagonismo em franquias globais. Essa nova safra de realizadores prova que o mercado estrangeiro está superando os antigos estereótipos e absorvendo a pluralidade cultural de nossos atores.

A preservação da cultura brasileira nos EUA e o resgate histórico

A discussão sobre a carreira em Los Angeles se estende para fora dos estúdios ao tocar no sentimento de identidade das famílias imigrantes. A manutenção do idioma materno surge como uma ferramenta de união indispensável para as novas gerações de filhos de brasileiros nascidos em solo americano. Através da iniciativa Brazilian Play & Learn, a produtora coordena ações práticas focadas em fortalecer os vínculos afetivos com a língua portuguesa longe do país natal.

“A intenção é preparar essa geração para daqui a dez anos, para que a gente tenha profissionais americano-brasileiros que entendam o que é o Brasil além do estereótipo”, explicou a atriz. Ela completou que o país é grande, cheio de riquezas culturais e que o foco não deve ficar restrito apenas ao futebol e ao carnaval. Essa visão busca ampliar o conhecimento das crianças sobre a verdadeira diversidade da nossa terra.

Essa preocupação com as raízes também move os próximos passos da artista no teatro, com um plano focado em reapresentar um ícone histórico ao público local. Recentemente, ela viveu Carmen Miranda na Casa Ipanema e, agora, planeja levar aos palcos de Los Angeles a peça Carmen Miranda – The Queen of Samba. O espetáculo, que já passou pelos palcos brasileiros, será adaptado com diálogos em inglês.


Carmen Miranda’s Nigth | Vídeo: reprodução/Instagram/@hidden_gems_losangeles


A grande estratégia do projeto musical é manter a execução de todas as canções originais em português durante as apresentações no palco. O objetivo é discutir a importância da representação cultural no exterior, resgatando o legado da maior referência de internacionalização que o país já teve. A iniciativa une o mercado de entretenimento à preservação histórica, mostrando a força da nossa música para o público norte-americano.


Bia Borinn como Carmen Miranda | Foto: reprodução/Instagram/@biaborinn


Esse panorama sobre os bastidores da arte e da imigração serve como um retrato fiel da atual comunidade de realizadores que vive fora do país. A experiência compartilhada funciona como um incentivo para novos profissionais que planejam expandir seus horizontes de trabalho no exterior de forma segura. O debate expõe a rotina real de quem busca crescer em grandes metrópoles sem deixar de proteger a memória de sua pátria.

Para finalizar, a artista destacou a importância da união da comunidade brasileira e elogiou o momento positivo do cinema nacional no exterior após lançamentos recentes. Ela também avaliou o impacto da inteligência artificial no mercado e garantiu que o teatro segue protegido, já que a troca no palco acontece 100% ao vivo.

By Raquel Cunha

Jornalista por amor e formação, Raquel Cunha comanda o Portal Maraq unindo sua paixão pela cultura à expertise em gestão. Aborda o entretenimento e o cenário artístico de forma leve, transformando a notícia em uma conexão direta entre o público e a arte.