A Academia de Artes e Ciências Cinematográficas de Hollywood anunciou, nesta sexta-feira, 1, uma atualização profunda em suas normas de elegibilidade para a 99ª edição do Oscar. As mudanças atingem dois pilares centrais da indústria atual: a regulação ética da Inteligência Artificial (IA) e a democratização do acesso para produções de língua não inglesa. As novas diretrizes entram em vigor para filmes lançados em 2026, com a cerimônia do Oscar 2027 agendada para o dia 14 de março de 2027.
A Barreira Contra a Inteligência Artificial
Com o avanço tecnológico permitindo recriações digitais cada vez mais realistas, a Academia decidiu estabelecer limites claros para as categorias de atuação e roteiro. A partir de agora, o regulamento determina explicitamente que o trabalho deve ser realizado exclusivamente por humanos.
A discussão ganhou força após a circulação de produções que utilizam ferramentas generativas para recriar performances de atores falecidos ou sintetizar roteiros complexos. Com a nova diretriz, o Oscar reforça o valor do artista físico e da criatividade humana como requisitos obrigatórios para a disputa da estatueta dourada, protegendo a integridade da profissão diante da automação.
Mudanças no Oscar de Filme Internacional
Para o cinema brasileiro e global, a mudança na categoria de Melhor Filme Internacional é estratégica. Atualmente, cada país pode enviar apenas um representante oficial. A partir do Oscar 2027, produções premiadas nos principais festivais do mundo ganham o direito de concorrer à categoria, mesmo que não tenham sido a escolha principal de seus países de origem.
Os filmes que conquistarem os prêmios máximos nos festivais de Cannes (Palma de Ouro), Veneza (Leão de Ouro), Berlim (Urso de Ouro), além de Toronto, Sundance e Busan, estarão automaticamente qualificados. Outra alteração simbólica é que a estatueta agora pertencerá ao filme em si, e não mais ao país representado, reconhecendo a obra como uma conquista artística independente.
Impacto no Cinema Brasileiro
Essas novas regras poderiam ter mudado o destino de grandes obras nacionais no passado. Filmes que venceram festivais internacionais, mas foram preteridos em seleções internas, agora teriam um “caminho alternativo” para a indicação. Após a vitória histórica do cinema brasileiro em 2025 com “Ainda Estou Aqui”, o novo cenário abre portas para que a diversidade de gêneros e diretores do Brasil tenha mais visibilidade em Hollywood.
Flexibilidade para Atores e Categorias
Além do cerco à IA, a Academia permitiu que atores possam receber mais de uma indicação na mesma categoria se tiverem atuações em filmes diferentes. Anteriormente, apenas a performance mais votada seguia para a lista final, limitando as chances de talentos com um ano produtivo e diversificado.

