Crítica Jumanji com o elenco do filmeElenco principal de Jumanji | reprodução/Instagram/@jumanjimovie

Poucas propriedades intelectuais conseguiram atravessar décadas com tamanha resiliência quanto Jumanji. O que começou em 1995 como uma aventura sombria e mágica, estrelada pelo eterno Robin Williams, transformou-se em uma máquina de entretenimento global liderada por Dwayne Johnson. Nesta crítica, exploramos como a franquia moldou o conceito de blockbuster moderno e o que esperar do seu futuro no cinema e entretenimento.

O Roteiro: Do Tabuleiro ao Console

O grande trunfo da franquia foi a coragem de não apenas repetir a fórmula original. No filme de 1995, o roteiro era focado na invasão: o jogo vinha até o mundo real, trazendo caos e perigo. Já na revitalização iniciada com Jumanji: Bem-Vindo à Selva (2017), a lógica se inverteu. Agora, os jogadores são sugados para dentro de um videogame. Confira o trailer a seguir:


Trailer do filme | Vídeo: reprodução/Youtube/ Sony Pictures Brasil

Essa mudança de perspectiva permitiu que o roteiro brincasse com tropos de games, como NPCs, barras de vida e habilidades especiais. Enquanto o original beirava o suspense psicológico, os filmes novos abraçaram a comédia de ação. Essa transição foi fundamental para atrair a nova geração sem desrespeitar o legado de Williams, cujas referências ao seu personagem, Alan Parrish, pontuam os novos filmes de forma sutil e emocionante.

Desempenho e recepção: o que diz a Crítica?

A franquia Jumanji é um fenômeno raro de aceitação. O primeiro filme dividiu a crítica na época, mas tornou-se um cult clássico. Atualmente, a pontuação no Rotten Tomatoes para os novos filmes é surpreendentemente sólida:

  • Jumanji (1995): 55% de aprovação (Crítica) / 73% (Público).
  • Jumanji: Bem-Vindo à Selva (2017): 76% de aprovação.
  • Jumanji: Próxima Fase (2019): 71% de aprovação.

Embora não sejam frequentadores assíduos de festivais de prestígio como Cannes ou o Oscar, a franquia coleciona vitórias no Kids’ Choice Awards e no Teen Choice Awards, provando sua força no entretenimento familiar. O desempenho financeiro é ainda mais impressionante: os filmes modernos ultrapassaram a marca de 2 bilhões de dólares em bilheteria global, consolidando o título de “rei do natal” para a Sony Pictures.

Bastidores e Curiosidades: Além das Câmeras

Os bastidores de Jumanji revelam o carisma de um elenco perfeitamente escalado. A química entre Dwayne Johnson e Kevin Hart nasceu aqui e tornou-se uma marca registrada. Poucos sabem, mas as cenas de selva foram filmadas no Havaí, nas mesmas locações de Jurassic Park.

Outro detalhe fascinante é o respeito à memória de Robin Williams. Originalmente, havia planos para um reboot total, mas a equipe decidiu que a nova história deveria ser uma sequência direta, mantendo a continuidade do universo. Isso permitiu que o “design” do jogo evoluísse de forma orgânica: se o tabuleiro era analógico nos anos 90, faz sentido que ele se transforme em um cartucho para atrair novas vítimas em 2026.

Veredito Cultural

A franquia Jumanji prova que um bom entretenimento não precisa ser complexo para ser profundo. Ao discutir temas como empatia (ao colocar personagens em corpos de avatares opostos às suas realidades) e trabalho em equipe, os filmes entregam mais do que apenas efeitos visuais de ponta.

Com um quinto filme já anunciado para o final de 2026, o ciclo parece longe de terminar. Jumanji continua sendo a prova viva de que, no cinema, algumas regras de jogo nunca saem de moda.