Foto de Milly Alcock como Kara Zor-El em SupergirlMilly Alcock como Kara Zor-El | reprodução/Instagram/@supergirl

A nova era do cinema focado em super-heróis ganha mais um capítulo com a estreia de uma das personagens mais aguardadas do novo Universo DC. Com a missão de apresentar uma faceta diferente dos kryptonianos nas telonas, o longa-metragem chega aos cinemas no próximo dia 25 de junho cercado de enorme expectativa por parte do público e da imprensa especializada. No entanto, o resultado final entrega uma experiência que, embora apresente ótimos acertos individuais no elenco, não consegue alcançar o patamar elevado que a grandiosa campanha de marketing prometeu durante os meses de divulgação. Marcelo Cunha, crítico de cinema do Portal Maraq, esteve presente na cabine de imprensa do longa. A seguir, confira a crítica de Supergirl.

Narrativa oscila entre a boa trama e a montagem confusa

O roteiro apresenta uma boa proposta central e consegue prender a atenção do espectador em diversos momentos, mas falha em manter a constância. A edição técnica de cortes cumpre o papel básico, mas o ritmo geral sofre quebras severas devido a uma montagem irregular e à inclusão de cenas que carecem de explicações claras dentro do contexto da história. No aspecto do tom, o longa acerta ao se afastar do tradicional: temos uma protagonista mais ácida que o Superman, o que garante uma atmosfera mais madura e séria, apostando em falas e gestos rudes na medida certa, sem a necessidade de apelar para palavrões.

Milly Alcock entrega atuação memorável no cinema DC

Se existe um elemento capaz de sustentar a produção do início ao fim, este fator atende pelo nome de Milly Alcock. A atriz demonstra um talento excepcional e entrega uma performance segura, capturando a essência dessa nova versão da heroína com maestria e carisma. É seguro afirmar que o desempenho da protagonista atua como o verdadeiro pilar de sustentação da obra, salvando o longa-metragem de cair no marasmo técnico e garantindo que o público se conecte emocionalmente com a jornada da personagem na tela grande.


Supergirl estreia nos cinemas no próximo dia 25 de junho | Vídeo: reprodução/Youtube/Warner Bros. Pictures Brasil

Jason Momoa como Lobo gera estranhamento no Universo DC

Por outro lado, a escalação de Jason Momoa no papel do caçador de recompensas alienígena traz uma sensação de estranhamento difícil de ignorar na sala de cinema. O ator entrega uma performance correta e adequada ao personagem espacial, mas a sua presença cria uma quebra na memória afetiva dos fãs de quadrinhos. Ter o artista inserido neste novo cenário interpretando uma figura completamente diferente, logo após viver o Aquaman por tantos anos em produções recentes da mesma empresa, provoca uma desconexão bizarra que distrai o espectador.


Milly Alcock e Jason Momoa falam sobre seus personagens | Vídeo: reprodução/Instagram/@supergirl


Falta de originalidade técnica marca a crítica de Supergirl

No plano técnico, a produção deixa transparecer uma forte dependência de fórmulas já consagradas no cinema de ficção científica e aventura. A trilha sonora adota uma estrutura musical que remete diretamente ao estilo de Guardiões da Galáxia, incluindo o uso de um walkman pela protagonista Kara Zor-El. Visualmente, a fotografia também carece de identidade própria, oscilando entre cenários internos que lembram a franquia Star Wars e tomadas externas que imitam a estética desértica de Mad Max, evidenciando uma execução pouco inventiva na criação desse universo.

O veredito e o saldo da nova aposta do DCU James Gunn

Apesar de a proposta inicial ser excelente, a execução final rasa faz com que o longa funcione mais como um grande pretexto de introdução para o DCU de James Gunn do que como uma obra cinematográfica robusta. A produção deixa de lado a imagem clássica da heroína puritana das histórias em quadrinhos antigas para apresentar uma jovem autônoma, livre e com visão de mundo oposta à do Superman, visando claramente a atração de uma nova geração de consumidores.

Diante desse cenário, a avaliação técnica fecha em uma nota 6/10. Embora os cinéfilos mais exigentes notem os cortes abruptos de edição e a falta de originalidade conceitual, o espectador casual encontrará um produto de ação acessível, sustentado por bons efeitos visuais, figurinos competentes e uma protagonista marcante.

By Redação Maraq

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